terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Resgatando o patriotismo

Artigo publicado na edição do Jornal de Brasília do dia 30 de janeiro de 2007

Divulgado na resenha de notícias do site do Exército Brasileiro

*Vicente Leal de Araújo

A grandeza e a força de uma nação assentam-se, essencialmente, no sentimento de patriotismo de seus filhos. A história dos povos, em todas as épocas, demonstra a procedência desta afirmação. Sem o vigor do sentimento de amor à terra-mãe nenhum povo permanece altivo no cenário das nações. São Tomás de Aquino proclamava no século 13: "Depois de Deus, são também princípios de nosso ser e governo, os pais, já que eles nos criaram, e a pátria, posto que nela nos criamos". O patriotismo envolve um espectro de atitudes dirigidas ao engrandecimento da nação como um todo – suas instituições, seu patrimônio físico e cultural, sua ordem jurídica e seu povo. Ser patriota é dirigir os atos de cada dia com os olhos na consolidação de uma nação em que todos sejam felizes.
Muito se tem discutido sobre as causas das sucessivas crises que afetam setores vitais da vida nacional. Ora é a estagnação da economia, ora é a falta de segurança pública, ora são os escândalos que proliferam na Administração Pública, ora são os desvios na conduta política, tudo isso num processo contínuo que estarrece e deixa perplexa a comunidade nacional. Nas minhas reflexões matutinas, sempre fico a pensar: será que as nossas crises não são reflexo da ausência da prática desses valores que encantavam o espaço estudantil nas sessões dos nossos grêmios escolares? Perguntei aos meus netos se eles conheciam o Hino da Bandeira. Eles responderam que nada sabiam sobre esse hino, nem sobre símbolos nacionais.
No passado não era assim. Meu mestre-escola iniciava e terminava a semana escolar com os alunos em forma, todos cantando o Hino Nacional e o Hino da Bandeira. A todos os pulmões berrávamos o "salve lindo pendão da esperança, salve símbolo augusto da paz!" E elevando os nossos rostos para o alto, com entusiasmo, louvávamos: "Em teu seio formoso retratas este céu de puríssimo azul, a verdura sem par destas matas e o esplendor do Cruzeiro do Sul". Já no Ginásio, nas sessões do Grêmio Lítero-Recreativo Filipe Tiago Gomes, eram declamados os versos de Castro Alves, autênticas orações de civismo: "Auriverde pendão da minha Pátria que a brisa do Brasil beija e balança, estandarte que a luz do sol encerra as promessas divinas da esperança". Essa era a formação de minha geração, em que se despertava na alma jovem um sentimento de amor à Pátria, valorizando os seus símbolos e consolidando nas mentes o ideal de culto aos valores maiores da nossa cultura e das nossas tradições.
Hoje, as aulas de civismo e de patriotismo, além de esquecidas pelas elites que dirigem os destinos da nação, também foram expungidas dos programas de ensino. Daí o desprezo geral pela ética, a ausência de apreço aos valores fundamentais da convivência em grupo, a indiferença para com os destinos do Brasil. Não se exerce cidadania sem o cultivo do civismo, que se expressa por atitudes de respeito ao direito de todos, pela prática diuturna de ações fundadas na harmonia e no convívio social, em suma, pelo respeito aos princípios em que se sustentam as instituições.
O patriotismo precisa ser reativado em todos os segmentos da Nação Brasileira. Como? Nas escolas, retornando-se às nossas tradições cívicas de culto aos símbolos e valores nacionais; na atividade empresarial, conservando-se a "verdura sem par dessas matas" (sem motosserras) e "esse céu de puríssimo azul" (reduzindo-se a emissão de gases poluentes); na condução da gerência governamental, empreendendo de modo concreto a realização das "promessas divinas da esperança"; nas ações de todos nós, agindo segundo os princípios da ética, da moral e do amor ao próximo. E seremos não mais o país do futuro, mas o grande país de hoje, que legaremos aos nossos netos.
*Vicente Leal de Araújo é advogado e ministro aposentado do Supremo Tribunal de Justiça

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Telmo de Lima Freitas e a Canção Tempos de Praça

Telmo de Lima Freitas em uma foto com este blogueiro.

‎"Sentei Praça e passei pronto no Segundo...Regimento João Manoel...lá no garrão da fronteira missioneira...foi plantado o meu Quartel....da velha Cavalaria do Rio Grande tenho muito pra contar...sou de rancho da saudade fronteiriça dos tempos de militar..." Grande amigo Telmo de Lima Freitas. Ele serviu no histórico e tradicional 2º Regimento de Cavalaria (Atual 2º R C Mec), em São Borja (1º dos Sete Povos das Missões), de 1950 a 1952 e compôs a Canção "Tempos de Praça" para homenagear o Regimento João Manoel e todos os seus integrantes de ontem e de hoje. Este é um gaúcho que tem ajudado a escrever a história do Rio Grande do Sul e do Brasil. Um Gaúcho de Fato. Outra canção de destaque composta pelo Telmo e que desde piazito eu escuto é "Esquilador", que retrata a realidade do homem rural.